segunda-feira, 8 de maio de 2017

Café com Conhecimento - Entrevista com Wilfredo Urruchi sobre Ozônioterapia


Wilfredo Urruchi 
Sr. Wilfredo Irrazabal Urruchi - Físico
Possui graduação em Física - Universidad Nacional Mayor de San Marcos (1987), mestrado em Física pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1992) e doutorado em Física pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1998).
Atualmente é diretor fundador do Instituto Brasileiro de Ozônio e suas Aplicações, antigo Instituto de Ciências Aplicadas Vale do Paraíba na Cidade de São Jose dos Campos, SP.
Tem experiência na área de Física de Plasmas e Descargas Elétricas em Pressão Atmosférica, assim como de suas aplicações em processos de materiais, nanotecnologia, geração de ozônio e degradação de gases.
Atua no desenvolvimento de equipamentos geradores de ozônio com aplicações específicas, também, na capacitação de uso de ozônio em: Tratamento de água, tratamento de efluentes, processos de alimentos, esterilização, medicina, odontologia, agricultura, higenização de ambientes hospitalares, higenização de veículos em geral, entre outros. Sócio da International Ozone Association -IOA. Sócio fundador da Associação Brasileira de Ozonioterapia, Sócio da International Water Association, Sócio da AEPROMO. Fonte: Ibravet

1)  Favor descrever a ação do ozônio no organismo? 
       Os mecanismos de ação estão relacionados com laços duplos de carbono/carbono dos compostos orgânicos que se encontram presentes no fluido biológico. Isto está no livro de Aspectos Básicos e Aplicações Clínicas no livro cubano. Inicialmente procuramos que o ozônio se dissolva. O ozônio é dez vezes mais solúvel do que o próprio oxigênio: na água do plasma e nos fluidos extracelulares; como a camada fina da água que cobre a pele ou nas mucosas do intestino e da vagina. O professor Bosch explica, nos processos fundamentais, que mesmo tendo sido consumido o ozônio pelos antioxidantes presentes no plasma há formação de espécies reativas de oxigênio que duram até um minuto. Por outro lado, tem uma formação de produtos de oxidação lipídica que é chamada também POL onde menciona que é a presença de peróxido de oxigênio oxidante e não um radical dentro das espécies reativas de oxigênio. De forma resumida pode-se dizer que o ozônio melhora o metabolismo do oxigênio no organismo. Promove o balanceamento de oxidação e redução, regula o metabolismo é um vermicida de ampro espectro e modula o sistema imunológico.
3) O ozônio é um tratamento para o autismo ou para algumas das comorbidades que o acompanham?  
Considero que o ozônio atua basicamente como sendo um detox e por outro lado atua melhorando o metabolismo do oxigênio que é o traz benefício para os pacientes com autismo.
    
 4) Existe algum protocolo consagrado utilizado no autismo? Caso sim, quantos ciclos de ozônio são recomendados, com qual frequência? Qual seria a manutenção?  
Na verdade, não existe um número mágico. Hoje em dia sabemos que os protocolos são cada vez mais individualizados. Então é um pouco difícil afirmar que serão necessárias 20 aplicações. O que se sabe dos trabalhos dos cubanos é que quando se fazem insuflações retais o número que conseguiram de resultado foi 20. Depois disso, fazer a manutenção também não tem nenhum número mágico. É apenas para dizer que já tem estudos feitos com glaucoma e que as vezes os pacientes com glaucoma fazem 2 vezes por ano e tem pacientes que fazem 1 vez por ano o ciclo de 20 aplicações. Existe a tabela que está circulando e que foi feita em excel. Está tabela foi construída a partir da informação que o professor Kalunga de cuba, em um curso, aonde menciona que a quantidade de ozônio que se deve administrar em um paciente com autismo é de 0,05mg/kg. A partir dessa informação reconstruíram uma tabela que está sendo utilizada normalmente. Esta tabela está dentro dos critérios também que escrevem os protocolos de Madrid e outros protocolos que existem no mundo.

5) Algumas crianças sentem agitação no início do ozônio. Poderia explicar as razões e como fazer para que isso não ocorra? 
Considero que toda ação traz uma reação. Quando fazemos uma faxina sempre irá nos causar um transtorno não será suavemente. Imagino que está reação é consequência da aplicação do ozônio e da oxigenação a nível cerebral.   
            
6)Poderias descrever os efeitos do ozônio nas diferentes vias: retal, auricular e EV (autohemo com ozônio)?                 

As vias retal e endovenosa são consideradas vias sistêmicas. A auricular podemos considerar como uma forma tópica com a finalidade também de oxigenar o cérebro. A auricular geralmente é utilizada para ozonizar as vias aéreas para quem tem sinusites, rinites e tem um conduto que comunica o sistema auditivo com o cérebro   por onde também é aplicado com a finalidade de oxigenar o cérebro. Estão sendo beneficiados também os pacientes com Alzheimer. Agora, as outras vias que são sistêmicas tem reações já mencionadas na primeira pergunta.

7) Quais são os riscos no caso do ozônio pela via retal?  
Normalmente o efeito colateral que aparece quando se fala de insuflação retal é a cólica que é passageira. Fora isso não se encontrou relatos de efeitos colaterais dessas insuflações retais. Muitas vezes o fato de aplicar ozônio nos pacientes e o fato de ter essas cólicas às vezes um pouco prolongadas é um sintoma de estar produzindo detox ou algumas coisas parecidas com isso. É uma reação do organismo. É uma limpeza. Por outro lado deve-se tomar cuidado ao introduzir a sonda. Esta deve estar bem lubrificada para não causar danos na parede do cólon.

8) Ozônio mata bactérias e fungos? Qual seria a ação do ozônio na microbiota intestinal? É recomendado o uso de probióticos concomitante ou apenas após os ciclos?    
O ozônio ao atuar dentro da insuflação retal basicamente irá matar os microrganismos que se encontram sejam fungos ou bactérias. Ele vai diminuir a carga fúngica e bacteriana, mas, não vai eliminar por completo por ser uma quantidade elevada de microrganismos. Podemos imaginar que o número de bactérias que temos por centímetro quadrado é de 10⁸. Ao aplicar ozônio podemos elevar quem sabe a 10⁷. Então ainda teremos muitas bactérias que irão sobrar. Logicamente existe um limite de doses que se deve aplicar. Então não se deve aplicar indiscriminadamente até causar lesão, por exemplo, no intestino. Respeitando essas doses não teremos necessidade de utilizar os probióticos, mas, por segurança tem muitos que estão usando. Não acho necessários, mas, se estiver à mão fará o bem somente.
  
9) O protocolo de madrid estabele que diferentes doses de ozônio desempenham diferentes papeis no organismo, poderias desenvolver melhor esse raciocínio, discorrendo sobre as doses, considerando crianças?     
Temos as doses baixa, média e alta. As doses baixas se utilizam quando o sistema imune está baixo, comprometido. Imaginemos que pegamos uma gripe. A gripe nos acomete quando nosso sistema imunológico está baixo. Pode-se neste momento utilizar doses baixas de ozônio. E existem uma série de doenças que se manifestam com a queda da imunidade aonde se pode aplicar doses baixas de ozônio. No caso de insuflações retais estão entre 10 e 15µg/mL.
As doses médias também denominada como imunomodulador e estimula o sistema enzimático antioxidante de defesa. São mais úteis em doenças degenerativas crônicas tais como Diabetes, Ateroesclerose, Parkinson, Alzheimer e Demência Senil. Doses altas com efeito inibidor sobre mecanismos que são produzidos em doenças auto imunes como Artrite Reumatoide e Lúpus. Utiliza-se em ferimentos infectados e também para fazer água ozonizada.  

10) Jim afirmou que ozonioterapia é mais forte do que MMS, que tem  maior poder oxidativo e com isso pode prejudicar o corpo. Disse que tudo que ozônio pode fazer, MMS tbem pode.    Qual sua opinião sobre isso?                  
Como havia mencionado anteriormente não temos textos comparativos e existem limites de doses de ozônio para que não seja prejudicial. Levando em consideração as doses limites não haverá nenhum problema. Mas, se o MMS também é capaz de fazer tudo o que o ozônio faz também acho válido. Mas, infelizmente não temos estudos comparativos para dizer qual é o melhor apenas relatos de pessoas que estão melhorando e estão tendo também reações adversas que aparece em cada um deles. Seria bom juntar todas estas experiências para que elas possam ajudar mais tarde.

11) Quantas seriam as aplicações em um ciclo de ozonio?                       
No caso de insuflações retais o que os cubanos mencionaram são 20 aplicações. Essas 20 aplicações podem ser intercaladas. A pouco tempo escutei deles em um curso em dezembro que eles estão fazendo diariamente. Considero que este número não deve ser válido para todos. Pode ser que alguns pacientes precisam de mais aplicações e outros que necessitam de um pouco menos. É importante fazer uma avaliação constante do paciente sobretudo o aspecto clinico. Como ele está se mostrando? Como ele está se comportando? Acho que com estes indicativos consegue-se analisar quem precisa fazer mais ou menos ozônio.
12) Qual seria o intervalo entre os ciclos?        
Não tem um estudo ainda para o caso de autismo. Imagino que quem está tratando ou quem convive com pacientes de autismo sabem mais ou menos quando estão precisando.   Não existe um trabalho publicado que mencione que vai ser duas vezes ao ano ou a cada 5 meses ou 6 meses. Apenas vou repetir o que já se tem no caso de glaucoma. Tem pacientes que precisam fazer duas vezes por ano e tem pacientes que precisam fazer uma vez por ano.       
13) Existe necessidade de repetição dos ciclos?
                       Considero que sim, pois, não é uma doença que tem cura. É apenas uma doença que vai melhorando e se vê o limite dessa melhora. E o ciclo de repetição pode ser feito após essa avaliação pelo médico.
14) Quais os possíveis benefícios do ozônio?      
Um dos maiores benefícios que se tem nos casos dos pacientes com autismo é melhorar os níveis de oxigênio e regular o metabolismo. Considero estes dois sendo os mais importantes.
       
15) No autismo são indicados quantos ciclos?  Qual o parâmetro para parar de fazer ciclos e ficar só fazendo as manutenções?                       
Menciono novamente que o número de aplicações por ciclo é 20. Mas, deve-se considerar que o paciente pode precisar de mais ou menos aplicações. Isso deve ser avaliado pelos médicos e geralmente pelos pais que são os mais observadores. Podem ser realizadas manutenções uma vez por semana ou uma vez por mês que também depende das observações dos pais ou dos médicos.

16) Existe protocolo específico pra h Pylori? E para clostridium?      
O que se menciona para o H Pylori é tomar água ozonizada uma vez por dia durante uma semana ou óleo ozonizado 3 gotas por dia.
               
17) É verdade que ozônio mata bactérias mas aumenta fungos?                    
   Não é verdade. Ozônio mata bactérias e mata fungos também. O ozônio não é seletivo.

18) Quais exames devem ser feitos antes de fazer ozônio? Quais seriam as contra indicações de fazer ozônio?     
O protocolo de Madrid menciona o exame de deficiência de glucose 6 fosfato desidrogenase. Este é um exame de sangue que estão fazendo não é tão marcante, mas,pode ser fator auxiliar, mas, por precaução alguns médicos estão fazendo. E o teste para hipertireoidismo. Fora isso as outras contra indicações considero não ser muito relevantes, pois já vi pacientes com hemorragias tomar ozônio e melhorar os quadros hemorrágicos. Assim como os pacientes cardiovasculares. Há um pouco de controvérsia entre o que já está escrito e os pacientes que estão se tratando. Mas, eu basicamente menciono a glusose 6 fosfato desidrogenase e o teste para hipertireoidismo. Os demais devem ser avaliados com um médico.

19) De acordo com a concentração, quais são os benefícios dá ozônioterapia? 
Já foi mencionado um pouco antes. As doses baixas se utilizam quando o sistema imune está baixo, comprometido. Imaginemos que pegamos uma gripe. A gripe nos acomete quando nosso sistema imunológico está baixo. Pode-se neste momento utilizar doses baixas de ozônio. E existem uma série de doenças que se manifestam com a queda da imunidade aonde se pode aplicar doses baixas de ozônio. No caso de insuflações retais estão entre 10 e 15µg/mL. As doses médias também denominada como imunomodulador e estimula o sistema enzimático antioxidante de defesa. São mais úteis em doenças degenerativas crônicas tais como Diabetes, Ateroesclerose, Parkinson, Alzheimer e Demência Senil. Altas doses com efeito inibidor sobre mecanismos que são produzidos em doenças auto imunes como Artrite Reumatoide e Lúpus. Utiliza-se em ferimentos infectados e também para fazer água ozonizada.  
    
20) Posso fazer ozônio auricular no mesmo dia que o retal?             
            Sim. Porque as doses acumulativas vão estar abaixo do que se chama janela terapêutica. Então há segurança.
         
21) Na insuflação retal, como o ozônio é absorvido para todo o organismo?    
Na mucosa que temos no cólon o ozônio vai fazer todos os produtos oxidantes. A partir desse momento ele é absorvido primeiro pelo fluído e este transmitir através dos capilares do intestino e vai levar pela corrente sanguínea e isso vai servir para todo o organismo. Por isso que a insuflação retal é utilizada quase que para todas as doenças aonde se utiliza ozônio terapia.       
              
22) O que pode acontecer se a pessoa não enviar a máquina de ozônio para manutenção? Existe risco?                      
 Se a máquina é usada com cuidado dificilmente haverá problemas. Já vi máquinas que mandaram pra revisão e ela estava produzindo praticamente o mesmo de quando a compraram. E por outro lado tem máquinas que chegaram com calibrações deterioradas porque geralmente fazem óleo ozonizado e estas máquinas não estão preparados para o óleo. Então este tem sido o maior problema dessas máquinas. Quem está fazendo o uso do equipamento com cuidado não deve se preocupar por dois anos, mas, as recomendações são fazer avaliações uma vez por ano. Logicamente, quem está usando em casa não tem o mesmo uso, por exemplo, de uma clínica. Considero que deve-se fazer a revisão pelo menos a cada dois anos.

23) Há risco da máquina ou o cilindro de oxigênio explodir? 
Não. A máquina não pode explodir assim como o cilindro também não. Eles tem um sistema de segurança pra que isso não ocorra.

24) Há alguns tipos de máquina de ozônio que não tem o cilindro de oxigênio. Poderia nos explicar a diferença com as que usam o oxigênio medicinal? 
Eu fico até assustado com isso, pois tem muitas pessoas em função de preço utilizando esta máquina que trabalha com o ar ambiente. E não existe nenhum trabalho científico que comprove que ozônio terapia pode ser feito utilizando o ozônio a partir do ar ambiente. Porque o ar que respiramos tem 78% de nitrogênio, 20% de oxigênio, então se uma máquina está fazendo ozônio a partir do ar ambiente ele está usando esses 20% de oxigênio. Considerando que na ozônioterapia utilizamos apenas 1% disso as concentrações que saem de ozônio dessa máquina não passam de 2mg/L por outro lado a maior quantidade que está aplicando é de nitrogênio. Então como fica a absorção do nitrogênio dentro dos fluídos? Eu não sei explicar isso porque nunca vi. Tem coisas que não foram estudadas e que não poderei responder as coisas que acontecem com esse ar ambiente que estão fazendo. Agora a quantidade de ozônio que estão aplicando a partir dessas máquinas é muito baixa.
              
25) É necessário fazer enemas e qual seria a função do enema? Dá diferença no tratamento para quem não faz enema?                      
O assunto do Enema surgiu aqui no Brasil. Quando eu fiz o curso em 2002 em Cuba ninguém mencionava o Enema. Depois fiz o curso na Espanha e no México também não mencionaram o Enema. O Enema apareceu aqui no Brasil. Lógico que tem benefícios fazer o Enema porque você deixa limpo o intestino e o ozônio é absorvido da melhor forma. Agora, quem não faz Enema também tem resultados. Se tiver a oportunidade de fazer Enema, faça. Se não tiver a oportunidade irá fazer efeito da mesma forma.

26) Há vários tipos de enemas. Qual vc indica? Quantas vezes na semana?
Não conheço a diversidade do Enema. Apenas o que se escuta é o Enema do café sobretudo para problemas hepáticos. E o que escuto também é a hidrocólon com água ozonizada. Estes são os dois casos que escuto mais, mas, não sei qual é a eficiência de cada um deles.                   
27) Há algum estudo ou pesquisa sobre Ozonioterapia específico para o autismo?

Sei que em Cuba está se formando um grupo que estão fazendo estes estudos e reorganizando o Centro Nacional de Investigações que seria o Centro Nacional de Pesquisas que estava um pouco parado. Estão tentando formar o grupo novamente e tentando conduzir estudos de ozonioterapia em autistas. Fora isso, aqui no Brasil, tem-se comentado fazer um quadro estatístico de relatos de casos. Porém, não conheço outros grupos.

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