sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Café com Conhecimento: A predileção de crianças autistas por carboidratos refinados e eletrônicos

Café com Conhecimento

O Dr. Jack Kruse faz uma análise sobre a predileção de crianças autistas por carboidratos refinados e eletrônicos: Não deixe de ler, você irá surpreender-se com as conclusões.


A análise do plasma de crianças autistas, através de radioisótopos, oferece pistas para entendermos a razão da predileção dessas crianças por carboidratos refinados e dispositivos que emitem luz azul (como TVs, tablets e celulares).

Por que isso é um relato comum nessas crianças?
Quando as mitocôndrias estão danificadas elas não podem utilizar a beta-oxidação para queimar gordura. Então o organismo tem que se apoiar pesado sobre o ciclo Krebs para produzir energia. Esta quantidade de energia não permite a função completa da célula. É por isso que as crianças no espectro tem predileção por carboidratos e amam os dispositivos luz azul. Os pais precisam atuar para não permitir que essas coisas aconteçam pois tende a aprofundar as dificuldades da criança.
Estas duas ações impactam o microbioma intestinal e demandam que o ciclo de Krebs funcione de maneira mais rápida. O problema é que quanto maior o tempo em que se permanece nesse ciclo, mais profundo são os defeitos mitocondriais
O glutamato é sempre elevado nessas crianças, porque o glutamato é parte do ciclo de Krebs quando ‘em funcionamento mais rápido’, dado que essas crianças não podem, por dificuldades mitocondriais, acessar a beta-oxidação de gorduras.

A prova: Estudos têm mostrado que o aumento da estimulação do consumo de oxigênio e N-acetilglutamato e síntese de ureia são acoplados a agmatina induzida por oxidação do “mitochondrial fatty acid”. Leia mais em: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371%2Fjournal.pone.0158688.

IMPLICAÇÕES: Nesse contexto de dificuldade o glutamato vai subir no plasma sanguíneo, resultando em estereotipias, agitação, dificuldade de aprendizagem,...

Café com Conhecimento: Pode a genética influenciar a saúde de seu intestino?

Café com Conhecimento

Pode a genética influenciar a saúde de seu intestino?
Baseado em: http://bodyecology.com/articles/can-genetics-explain-an-unhealthy-gut

Pesquisas genéticas recentes revelam que nossa composição genética influencia a nossa saúde intestinal, tanto quanto a dieta e estilo de vida.
"portadores não-secretor do gene FUT2 são mais propensos a exibir sinais de doença de Crohn, doença celíaca, doença inflamatória do intestino e crescimento excessivo de Cândida."
Podemos influenciar a expressão do nosso DNA com escolhas saudáveis e de gestão de stress, no entanto, o nosso DNA é o modelo de nossa resposta aos estímulos do ambiente e desempenha um papel decisivo na saúde de nosso ecossistema.


O GENE FUT2 E O SEU ECOSSISTEMA
O gene FUT2 controla a quantidade de bifidobactérias que você carrega em seu aparelho digestivo (1).
As bifidobactérias são bactérias probióticas. Elas tem um efeito positivo no seu corpo e promovem o bem-estar. Como os bebês, a maioria de nós tem um ecossistema interior repleto de bifidobactérias, especialmente se que são amamentadas. Mas à medida que envelhecemos temos um importante declínio de bifidobactérias (2). Isto é impactante, uma vez que o intestino é reparado pela atuação de bifidobactérias e as mesmas nos protegem do supercrescimento de Cândida.
Estudos mostram que as bifidobactérias produzem gorduras especiais que alimentam as células intestinais. Essas gorduras, chamadas de ácidos graxos de cadeia curta, aliam-se ao sistema imunológico e ajudam a manter o corpo desinflamado (3).
Bifidobactérias fortalecem o seu sistema imunológico e atuam como protetores do intestino (4).


QUAL O PAPEL DO GENE FUT2?
Cerca de 20% das pessoas carregam uma variação do gene FUT2, tornando-os incapazes de abrigar de forma robusta as bifidobactérias no intestino. Isso pode deixá-lo vulnerável a doenças auto-imunes, doenças inflamatórias intestinais e infecção do trato urinário.
O gene FUT2 decide se o corpo irá 'divulgar ou não' as etiquetas do tipo sanguíneo em secreções corporais (como saliva, suco gástrico e leite) e na mucosa do intestino. Todo mundo tem um tipo de sangue (como tipo de sangue A, B, AB ou O). Mas nem todos nós comunicamos o nosso tipo de sangue na saliva e no muco que reveste o intestino.
Essas secreções (e se elas contêm ou não as marcas para o nosso tipo de sangue) influenciam o tipo de bactérias que crescem no intestino.
Aproximadamente 20% das pessoas transportam uma variação do gene FUT2 que não permite ao corpo revelar o seu tipo de sangue nas secreções e no revestimento do intestino (5). Estes 20%, chamados de não-secretores, não são capazes de abrigar uma comunidade robusta de bifidobactérias.
O gene FUT2 determina se somos vulneráveis a:
  • doenças auto-imunes, como a doença de Crohn (que afeta principalmente o intestino grosso), doença celíaca (que afeta o intestino delgado) e diabetes do tipo I (6) (7) (8)
  • doença inflamatória intestinal
  • infecções do trato urinário (9)
  • candidíase ou supercrescimento de Cândida (10) (11)
  • deficiência de vitamina B12 e algumas formas de anemia (12)

Referências:
  1. Wacklin, P., Mäkivuokko, H., Alakulppi, N., Nikkilä, J., Tenkanen, H., Räbinä, J., ... & Mättö, J. (2011). Secretor genotype (FUT2 gene) is strongly associated with the composition of Bifidobacteria in the human intestine. PLoS One, 6(5), e20113.
  2. Patel, P. J., Singh, S. K., Panaich, S., & Cardozo, L. (2014). The aging gut and the role of prebiotics, probiotics, and synbiotics: A review. Journal of Clinical Gerontology and Geriatrics, 5(1), 3-6.
  3. Goto, Y., & Ivanov, I. I. (2013). Intestinal epithelial cells as mediators of the commensal–host immune crosstalk. Immunology and cell biology, 91(3), 204-214.
  4. Fukuda, S., Toh, H., Hase, K., Oshima, K., Nakanishi, Y., Yoshimura, K., ... & Ohno, H. (2011). Bifidobacteria can protect from enteropathogenic infection through production of acetate. Nature, 469(7331), 543-547.
  5. Kelly, R. J., Rouquier, S., Giorgi, D., Lennon, G. G., & Lowe, J. B. (1995). Sequence and Expression of a Candidate for the Human Secretor Blood Group α (1, 2) Fucosyltransferase Gene (FUT2) HOMOZYGOSITY FOR AN ENZYME-INACTIVATING NONSENSE MUTATION COMMONLY CORRELATES WITH THE NON-SECRETOR PHENOTYPE. Journal of Biological Chemistry, 270(9), 4640-4649.
  6. McGovern, D. P., Jones, M. R., Taylor, K. D., Marciante, K., Yan, X., Dubinsky, M., ... & Rotter, J. I. (2010). Fucosyltransferase 2 (FUT2) non-secretor status is associated with Crohn's disease. Human molecular genetics, 19(17), 3468-3476.
  7. Parmar, A. S., Alakulppi, N., Paavola‐Sakki, P., Kurppa, K., Halme, L., Färkkilä, M., ... & Einarsdottir, E. (2012). Association study of FUT2 (rs601338) with celiac disease and inflammatory bowel disease in the Finnish population. Tissue antigens, 80(6), 488-493.
  8. Smyth, D. J., Cooper, J. D., Howson, J. M., Clarke, P., Downes, K., Mistry, T., ... & Todd, J. A. (2011). FUT2 nonsecretor status links type 1 diabetes susceptibility and resistance to infection. Diabetes, 60(11), 3081-3084.
  9. Sheinfeld, J., Schaeffer, A. J., Cordon-Cardo, C., Rogatko, A., & Fair, W. R. (1989). Association of the Lewis blood-group phenotype with recurrent urinary tract infections in women. New England Journal of Medicine, 320(12), 773-777.
  10. Hurd, E. A., & Domino, S. E. (2004). Increased susceptibility of secretor factor gene Fut2-null mice to experimental vaginal candidiasis. Infection and immunity, 72(7), 4279-4281.
  11. Rupp, C., Friedrich, K., Folseraas, T., Wannhoff, A., Bode, K. A., Weiss, K. H., ... & Gotthardt, D. N. (2014). Fut2 genotype is a risk factor for dominant stenosis and biliary candida infections in primary sclerosing cholangitis. Alimentary pharmacology & therapeutics, 39(8), 873-882.
  12. Tanaka, T., Scheet, P., Giusti, B., Bandinelli, S., Piras, M. G., Usala, G., ... & Ferrucci, L. (2009). Genome-wide association study of vitamin B6, vitamin B12, folate, and homocysteine blood concentrations. The American Journal of Human Genetics, 84(4), 477-482.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Café com Conhecimento: Célula tronco de gordura

Café com Conhecimento

Nessa rodada de Café com Conhecimento contamos com o Dr Sérgio, que nos traz informações sobre o procedimento de células tronco da GID, que é um sistema de coleta e concentração de células tronco de gordura, frescas (não congeladas, não multiplicadas e com manipulação menor que mínima).



Dr. Sérgio Vieira
  • Médico- Faculdade de Ciências Médicas MG, 1985;
  • Cirurgia Geral - Santa Casa de BH, 1988;
  • Cirurgia Craniofacial - Universidade de Pittsburgh, EUA, 1990;
  • Bolsista da Academia de Osseointegração Suíça, 1993 ;
  • Cirurgião Dentista - PUC Minas, 2000
  • Diretor Médico da GID Brasil, 2011.

Descreva sua técnica

O sistema GID de coleta de células-tronco faz o processamento da gordura com duas formas de separação das células. Uma é a centrifugação e esse, no caso do que utilizamos, é associada à digestão enzimática da gordura, o que nos proporciona, comparado com qualquer outro tipo de coleta de célula-tronco de gordura, performance de 40 a 60% superior em número e viabilidade das células. Esses dados constam em diversos trabalhos da literatura.
Com relação ao uso eu gostaria só de ressaltar que a técnica utilizada pela GID para a coleta de células é de manipulação menor que a mínima, segundo Anvisa.

Qual a diferença entre as diferentes técnicas de célula tronco?

As diferenças entre os diversos tipos de célula tronco: a célula tronco tem várias origens no organismo. Já foram identificadas as embrionárias, cordão umbilical, dentre outras. No sangue periférico a gente tem células, mas o número é muito baixo, o que faz com que o sangue da medula óssea seja uma fonte mais rica. A do cordão umbilical e a do dente de leite também tem as mesmas características.
As células são multipotentes ou pluripotentes. Uma coisa a ressaltar é que a gordura como fonte de célula-tronco é o tecido que mais tem célula-tronco. Para vocês terem uma ideia quando comparada à medula óssea ou ao sangue periférico, o sangue de cordão umbilical ou ao dente de leite, ela tem aproximadamente uma centena de vezes mais células do que as outras fontes, isso por cm³ de tecido processado.
A gordura é disparada a maior fonte de células-tronco do organismo.
Com relação a complicações dessas técnicas é aí que vão as maiores diferenças. A retirada da gordura é um procedimento invasivo, mas não é um procedimento complicado. É uma lipoaspiração basicamente. Já a retirada na medula óssea você faz uma punção na crista ilíaca ou em outro osso longo e dali você extrai a medula óssea. A medula óssea tem aproximadamente 5.000 células-tronco por cm³. A gordura tem aproximadamente 900.000 células-tronco/cm³. O cordão umbilical, o uso dele é passível de ser feito, mas contem uma  pequena quantidade de células tronco, apesar de todos os esforços necessários para a manutenção desse tecido. Quando do uso, essas técnicas demandam multiplicações celulares e essas multiplicações é que são o nosso tendão de Aquiles.
As multiplicações celulares envolvem manipulação das células e a adição nessas células de produtos que nem sempre são inócuos no organismo. Da mesma forma que o cordão umbilical, a medula óssea e a polpa do dente, tem que ser multiplicadas. Se vocês considerarem que o indivíduo adulto tem de 15 a 50% do seu peso em gordura, vocês imaginam o quão mais abundante é o tecido adiposo com relação aos outros. Então, uma das diferenças é essa.

Existe risco de câncer?

Evidentemente quanto menor a manipulação, mais seguro é o tecido a ser utilizado. Evidentemente também quando você faz essa manipulação das células, quanto mais vezes você duplicar o número de células, aumenta exponencialmente o risco de câncer ou de alterações tumorais ou de núcleo da célula. Apesar dos cuidados, qualquer proliferação que você faz nas células, você pode promover alteração do núcleo e aumenta o risco. A segurança do congelamento, da multiplicação e da retornada do tecido à temperatura corporal podem ser danosos ao núcleo e à própria célula. A viabilidade das células com o congelamento pode diminuir, apesar das novas técnicas de congelamento, os mecanismos anti-congelamento das células promovem uma segurança maior, no entanto, você mistura até soro bovino para conservar essas células, em alguns casos. Uma coisa diferente da célula-tronco fresca da gordura é que você injeta junto com ela dezenas de partículas proteicas e hormônios de cicatrização que são injetados conjuntamente com essas células frescas, o que não acontece em nenhum dos outros mecanismos, nenhuma das outras técnicas tem essa propriedade.

Pode haver correlação entre idade e o transplante de células ter sucesso? Tenho visto crianças mais velhas se beneficiarem mais.

Pelos poucos dados com relação à correlação entre respeito da idade e ao transplante de células. Já podemos quase afirmar com certeza que o número de células não correspondeu diretamente à eficiência do tratamento. Ou seja, nós tivemos paciente com poucas células transfundidas e muito resultado, como tivemos paciente com muitas células com um resultado um pouco inferior. Nós ainda não encontramos a relação ideal entre o número de células e os resultados dos pacientes.

Qual a dificuldade de liberação e mais estudos no Brasil sobre SC para autismo?

A dificuldade para liberar estudos no Brasil está relacionada à atividade do CONEP – Comitê Nacional de Ética em Pesquisa. A gente tem uma dificuldade tremenda em cumprir todos os pré-requisitos, mesmo se tratando de células do próprio indivíduo. A gente pede 10 pacientes, eles deixam 4 e a gente tem que ficar 2 anos esperando os resultados desses primeiros. A gente pede mais 20, eles deixam 8 e a gente tem que ficar mais 2 anos. Então, as coisas são arrastadas por causa das regras do CONEP. Eles têm razão em fazer isso, eu acredito, em função de algumas drogas que estão sendo colocadas no mercado hoje em dia que tem que ter esse acompanhamento mais próximo. Nós vimos recentemente a pílula anticâncer que deu aquela confusão. Se a gente for olhar a célula do próprio indivíduo, célula fresca, ela por lei é considerada um enxerto. Só que nós estamos utilizando a célula como tratamento celular. Esse conjunto, essa bateria, esse grupo de células mais o grupo de hormônios é um tratamento celular. Os resultados para o TEA que a gente tem observado estão sendo alcançados muito mais cedo do que seria passível de ser resultado da injeção da célula. Eu acredito que o hormônio que faz imunomodulação e modelação da reação inflamatória, esses hormônios tem um papel importantíssimo nos resultados que foram observados em pacientes com Transtorno do Espectro Autista.

Quais as formas de extração de células tronco utilizadas pelos médicos que estão fazendo esse procedimento no Brasil? Dente? Gordura? Qual a melhor?

Com relação às formas de extração das células tronco, eu diria que as melhores fontes estão na gordura e na medula óssea ou cordão umbilical. Por que isso? Porque o cordão umbilical você tem um banco de cordões que tem milhões ou milhares de cordões congelados. Quando você precisa de células para um indivíduo não necessariamente será o dele, ele pode ser mesclado com vários e isso proporciona um aumento no número de células, mas, ainda assim, células congeladas e nem sempre com a viabilidade necessária a um tratamento. A gordura, não é porque eu represento a gordura, mas de todos os trabalhos que já vi no mundo, a gordura se mostra mais inteligente.
Em termos de eficiência não posso dizer porque nós ainda não temos um trabalho formal, porém a forma de obtenção e o número de células junto com a quantidade de hormônios que é injetada junto dessas células, em PH e osmolaridade iguais a do plasma, com temperatura do corpo, isso tudo garante que nós estamos injetando um tecido saudável e vivo. Isso é importantíssimo. A gente não pode garantir o tratamento, mas a gente pode dizer que melhora a excelência da proposta de tratamento. Como ele é feito. A gente faz uma lipoaspiração no paciente tirando o máximo de gordura possível para uso naquele procedimento; esse tecido é processado em circuito fechado, ou seja, não há manipulação do tecido fora do frasco. Ele é lavado retirando o óleo sobrenadante, retirando os restos de tecido, como restos de sangue e outras células que poderiam alterar o PH. Essas coisas são retiradas durante essa lavagem. Depois a gente adiciona um pouco mais de líquido e põe a enzima junto do tecido. Ele fica por 40 a 50 minutos dentro de um agitador térmico que mantém a temperatura do tecido em torno de 38 graus e misturando a enzima que é a colagenase. A colagenase dissolve o tecido soltando as células que estão presas entre as células de gordura, perto dos vasos sanguíneos. Depois de misturado, esse tecido é tamponado, a gente tampona essa enzina, ela perde seu efeito enzimático e a gente processa o tecido através de centrifugação. Isso nos garante um maior número células, um maior número de células viáveis. Elas são, então, injetadas no paciente no mesmo ato cirúrgico. O paciente fica dentro da sala, isso é feito dentro da sala de cirurgia. A célula é fresca, não é manipulada e ela tem tanto a viabilidade quanto o número de células, ele é muito maior do que nos outros sistemas. 

Quais os benefícios da aplicação intratecal. Ouvi por especialistas no Panamá que intratecal e venoso dá no mesmo. Quais os Perigos da intratecal?

A injeção intratecal dessas células, que dizer, dentro do líquor que está em contato com o cérebro. Existem várias correntes nesse sentido. Existe uma corrente que a injeção intratecal tem mais efeito e existe uma corrente que defende que a injeção venosa tem mais efeito. A única coisa que eu ainda não consegui explicação suficiente para responder essa pergunta adequadamente é o número limite máximo de células que eu posso colocar dentro do líquor sem causar alteração para o paciente, causar algum problema, que pode ser até uma meningite. Então, a gente deve ir com cuidado para não exceder esse limite fisiológico.

Gostaria de saber se já fazem no Brasil células troncos e se alguém já fez e teve resultados?

No Brasil há diversos grupos trabalhando com pesquisas com célula-tronco para o autismo. Acho que no Paraná tem um, tem gente no Rio e São Paulo trabalhado com isso. Volto a dizer, não sei o estágio atual. Vamos ter uma ideia disso em outubro em uma reunião na Câmera dos Deputados em Brasília. O Alisson, um pesquisador brasileiro que mora na Califórnia vai trazer os resultados.

Tenho o cordão umbilical guardado, pode ser usado? Quais os benefícios? Eu tenho as células do cordão do meu filho armazenadas. Em que isso pode contribuir para meu filho TEA?

O único benefício que eu vejo do cordão umbilical guardado é a propriedade que ele tem de ser do próprio indivíduo. Volto a dizer que as células congeladas podem perder viabilidade e pode de ter, na hora de multiplicar, muita alteração. Porque você tirar de um tecido que tem 5 mil células-tronco/cm³, você tirar 50 ou 60 milhões de célula para fazer um tratamento, a multiplicação é grande. Eu, pessoalmente, nunca fiz, mas pessoalmente eu tenho desconfiança da manipulação excessiva dessas células. No entanto, ele já foi congelado, guardado e pode ser utilizado em caso de necessidade.
Como faço para extrair essa célula?
Como eu já expliquei, pode ser por punção dentro do osso, pode ser o osso longo fêmur, pode ser a tíbia, pode ser o rádio, o externo ou a crista ilíaca. Normalmente se opta pela crista ilíaca que tem maior volume de polpa. Assim mesmo se a gente juntar toda a medula óssea de um paciente adulto ela não chegará a 1 litro de medula óssea. Então, é limitada a quantidade. Já as células-tronco de gordura, você faz uma lipoaspiração que pode se tornar praticamente ilimitado. Precisou fazer, você engorda e faz de novo.

Este procedimento é feito nos EUA? Se não, por quê?

Esse procedimento ainda não é feito nos Estados Unidos para uso em autismo. Eles ainda estão atrasados em pesquisa porque o Bush segurou as pesquisas por 12 ou 13 anos e depois que ele saiu ainda continuaram travados pela legislação. Agora eles estão iniciando os trabalhos de forma mais controlada.

Queria saber qual a diferença da célula tronco extraída da gordura e a célula-tronco do umbigo. Essa do umbigo seria a mesma do osso do fêmur e da coluna?

O que diferencias as células-tronco da gordura para as células-tronco do umbigo são as linhagens que elas são capazes de desenvolver. Da mesma forma que as do dente e da mesma forma que as do embrião. Quando você tira do embrião, a célula embrionária tem um a capacidade imensa de se transformar em qualquer um dos 200 tipos celulares ou mais que a gente tem no organismo. As da medula óssea, do cordão ou do dente tem mais ou menos a mesma potência. Da gordura, a gente teria que para fazer outros tipos celulares, por exemplo de linhagem do sangue, você teria que fazer uma modificação um pouco maior. Porém para os outros tipos de tecido, ela tem a capacidade de transformação quase igual à dos outros tipos de célula-tronco.

Esse tratamento de células tronco é indicado para todas as crianças? Quais benefícios podemos esperar?

Poder ser indicado para todas as crianças eu acho que é mais uma necessidade nossa do que da própria criança, porém nós estamos na pontinha do iceberg e estamos descortinando o real contorno dessa terapia, o real resultado dessa terapia para os indivíduos. Os resultados são extremamente promissores na área de movimentos finos de mão, atenção, obediência a comando verbal, independência, fala, comunicações e convivência. Isso tem sido observado em quase todos os pacientes, a convivência com os irmãos e as outras pessoas melhoram muito. A gente tem resultados excepcionais, a gente pode observar resultados excepcionais, independentes do número de células. Talvez seja por causa do tipo de células que foram usadas.

As células tronco são capazes de alterar um gene?

Não, mas eu gostaria de salientar uma coisa: nem sempre o TEA está ligado a alteração genética. Ela pode ser uma alteração genética que altera uma função de uma enzima, por exemplo, no corpo. Ou ela pode ser a uma alteração genética levando à alteração de um componente que vai alterar as funções no cérebro. Isso pode ser alterado ou pode ser revertido, com a modulação da inflamação e da imunogenicidade. Ou seja, o meu organismo começa a aceitar aquela alteração com menos reação do próprio organismo. E a imunogenicidade é importante para manter esse “ataque”, vamos dizer assim, essa resposta a uma agressão qualquer, seja digestiva, seja ambiental, ela promove uma modulação dessas respostas e melhora o quadro geral. Alteração genética a gente nem espera dessas células, mas tem coisa vindo por aí. Já ouvi trabalhos que vão começar a promover essa alteração genética a partir da identificação de um dos genes responsáveis pelo Transtorno do Autismo.


Contatos:

Whats: +31 99981-7416
Site: http://www.gidbrasil.com.br/

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O uso da L-Carnosina no autismo

Café com Conhecimento

O impacto da suplementação com L-Carnosina em crianças autistas


Baseado em: http://www.autismparentingmagazine.com/news-benefits-l-carnosine-autistic-children/ 

L-carnosina é um aminoácido que ocorre naturalmente no corpo. As concentrações mais elevadas de L-carnosina são encontradas nos tecidos do coração, músculo e cérebro. A carnosina é classificada como um dipéptido, que é um composto feito de moléculas de aminoácidos que estão ligados entre si. Seu uso pode melhorar a função do lobo frontal no cérebro e as pesquisas sugerem que também é um antioxidante poderoso.
A forma sintética de carnosina está disponível e vendido como um suplemento para ajudar a tratar uma variedade de problemas de saúde. Estas incluem doenças de fígado, câncer, catarata e Alzheimer. Também é comercializado como um nutriente anti-envelhecimento. Alguns médicos e pesquisadores afirmam que a carnosina pode ser de grande ajuda para crianças com autismo.
Pesquisas indicam que a carnosina pode ajudar crianças autistas em uma variedade de maneiras, principalmente no que toca o comportamento da criança e habilidades de linguagem, bem como melhorar a função do sistema nervoso. Estudos têm relatado que as crianças que tomam suplementos de carnosina têm mostrado melhora nas seguintes áreas:
  • vocabulário
  • compreensão da linguagem
  • comunicação
  • socialização
  • reconhecimento de objetos
  • consciência do ambiente
  • habilidades motoras finas
  • processamento auditivo
Um estudo duplo-cego (controlado e com uso de placebo) foi conduzido pelo Dr. Michael G. Chez, et al. No estudo, trinta e uma crianças com autismo entre as idades de três a doze anos foram tratados com um suplemento de carnosina ou um placebo. O estudo durou oito semanas, ao final a maioria das crianças que tomavam os suplementos de carnosina apresentaram melhora significativa em habilidades relacionadas ao comportamento, a socialização e a comunicação. A avaliação do impacto foi realizada tendo como base o Childhood Autism Rating Scale (CARS), a Autism Rating Scale Gilliam (GARS) e Expressive and Receptive One-Word Picture Vocabulary tests (E/ROWPVT). Relatórios apresentados pelos pais das crianças também foram utilizados na avaliação. As crianças que tomavam o placebo em vez da carnosina, não apresentaram impactos positivos. Os pesquisadores afirmaram que, "A suplementação oral com L-carnosina resultou em melhorias tangíveis em comportamentos autistas, bem como aumentos na compreensão da linguagem que atingiram significância estatística."


Fonte: http://nutritionreview.org/2013/04/lcarnosine-autism/





segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Com olhos de uma criança



Dia 05 de outubro BH verá as coisas de um novo jeito.


Acesse e conheça: http://dom662.wixsite.com/olhosdecriancas

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Câmara Hiperbárica (HBOT) no autismo

Café com Conhecimento

Desta vez seu Café com Conhecimento terá a companhia de Dr Wilson Vieira,que nos atualiza sobre Tratamento com Câmara Hiperbárica (HBOT).



Dr. Wilson Albieri Vieira

Médico formado pela Universidade Estadual de Londrina- 1998-2003;
• Clinical Elective em Radiologia St Michael Hospital University of Toronto em 2001;
• Residência Médica em Radioncologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo FMUSP de 2004 a 2006;
• Programa de "Fellowobserveship" em Radioncologia e Tabagismo: Mayo Clinic School of Medicine, Phoenix, Arizona em 2006;
• Especialização em Medicina Hiperbárica pelo  Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP - 2007;
• Doutorado: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP - Dezembro 2011;
• Especialização em Pesquisa Clínica: Harvard Medical School - Fevereiro a Dezembro 2011;
• Membro da Sociedade America de Medicina Hiperbárica - Undersea and Hyperbaric Medical Society (UHMS);
• Membro da Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica (SBMH).

1) Qual a diferença entre as diferentes terapias bio oxidativas e HBOT? 

As terapias bio oxidativas são aquelas em que você estimula as capacidades oxidativas do organismo - que são o stress oxidativo, a produção de radicais livres - que são necessárias para a produção de energia, para a desintoxicação de organismo e para a função do sistema imune. Então toda terapia que visa a estimular ou alterar o stress oxidativo é chamada de terapia oxidativa. Elas agem basicamente estimulando todo o sistema imune e celular, as células de defesa. Acabam agindo diretamente e indiretamente destruindo patógenos como vírus, bactérias, fungos e outros e indiretamente acabam aumentando a oxigenação tecidual, além de levar a um aumento da angiogenese, do crescimento de novos vasos sanguíneos e alterar outras cascatas de metabolismo no organismo. O que difere as terapias oxidativas é o seu potencial de oxidação. O ozônio e o peróxido de hidrogênio são terapias que têm potencial de oxidação maior do que a hiperbárica. O efeito primário da hiperbárica nem poderia ser classificado como terapia oxidativa porque o potencial dela é pequeno. O objetivo principal dela seria a oxigenação mesmo. Como toda terapia que você faz, você depende do momento, não pode nem oxidar de mais nem de menos, então tem o momento para usar o ozônio, tem o momento de usar o peróxido e tem o momento de usar a hiperbárica. Por isso é importante esse momento, de que etapa o paciente está, para poder utilizar. 

2) Qual a diferença entre as câmaras mono e multi? 

A diferença é bem simples. As câmaras monoplace são as individuais, ela é preenchida com oxigênio e o paciente respira o oxigênio diretamente no ambiente da câmara individual. Nas multiplaces geralmente cabem vários pacientes ao mesmo tempo. Ela é pressurizada com ar e o paciente respira o oxigênio diretamente de uma máscara ou de um capuz. Então as multi são mais seguras em termos de incêndio, de riscos de explosão e essas coisas, mas o efeito do tratamento é bem igual, indiferente se é mono ou multi, o efeito é similar. O tratamento é igual, desde que siga todos os protocolos. 

3) O ar respirado é sempre a 100%? 

Não é ar respirado, é oxigênio e oxigênio normalmente  a 100%. Mas, se quiser, pode diminuir a concentração de oxigênio na mistura gasosa que estiver sendo inalada. Teoricamente você usa a hiperbárica com 100% de oxigênio. Se considerarmos o ar comum, ele tem 21% de oxigênio e 78% de nitrogênio, além de outros gases em quantias menores. Durante a hiperbárica você usa 100% de oxigênio. Você pode diminuir se for o caso, mas não é interessante fazer isso. Existem outras misturas gasosas, que são aplicadas mais no mergulho, que misturam hélio e outros gases. Mas isso é mais pra questão de mergulho mesmo, principalmente quando vai em para profundidades maiores, geralmente maiores que 50 metros. 

4) Quanto à pressão, qual é a utilizada para o autismo? 

No autismo a hiperbárica ainda tem caráter experimental. Existem muitas perguntas para as quais ainda não temos resposta e uma delas é essa questão da pressão. Quando se começou a utilizar a hiperbárica no autismo e outras condições neurológicas, começou-se a utilizar uma pressão de 1.5 atmosferas, que é um pouco menor da que a gente usa na pratica clinica, pra infecções e cicatrização de feridas. Mas não tem uma explicação muito lógica para isso não. Quando se lê os trabalhos antigos, a gente acredita que começou a se fazer isso porque eram as câmaras que eram disponíveis na época. Eram câmaras portáteis que só chegavam a 1.5. Parece ser essa a razão de ter se começado a usar essa pressão no autismo. O que a gente viu, na prática clinica principalmente, é que isso acabou tendo um resultado bom, com efeitos colaterais mínimos. 

5) Quantas sessões de HBOT são necessárias para autismo? 

Existem vários protocolos para tratamento de autismo. Não existe um número padronizado, uma receita de bolo, com relação ao número de sessões. Vai depender da experiência, do lugar e da pesquisa que está sendo feita. Em média se utilizam ciclos de sessões. Isso é associado com o controle da alimentação, a retirada de patógenos alimentares, como glúten e lactose, se for indicado. Tem outras medidas que são recomendadas em conjunto com a hiperbárica. Você utiliza 20 sessões, 30 sessões, pára um tempo, retoma. Normalmente esses ciclos duram um mês, com sessões diárias de uma hora, uma hora e meia, depende do protocolo, depois se considera um período de  descanso e esses ciclos são repetidos num universo de 24, 36 meses. Em relação ao numero de sessões, é tudo muito novo ainda então os protocolos que existem são ainda muito empíricos, nada muito com padrão cientifico, não tem nada baseado em evidencias, digamos assim, então vai muito da questão financeira e de disponibilidade, a hiperbárica não é um tratamento disponível em todo lugar, então esses protocolos de 20,30,40 sessões dependerão dessas condições, mas ai tem uma coisa mais fisiológica também ao passo que você vai gradualmente, a razão de você fazer diária as sessões de hiperbárica que você tem uma oxigenação muito grande dentro da câmara mas logo que você sai, a PO2 -que é a pressão do oxigênio a concentração de oxigênio no sangue - já volta ao normal. Mas aquele tempo que a pessoa ficou lá dentro - 1 hora, 1 hora e meia - você consegue estimular todo o sistema imunológico, de cascata e principalmente de formar novos vasos sanguíneos e isso vai se perpetuando ao passo que, acredito que a resposta mínima é de 15 a 20 sessões e com 40 ou 60 sessões você começa a atingir um platô de melhora, ai você precisa dar um tempo, como toda terapia oxidativa, você não fica fazendo muito tempo, então você dá um tempo. É tipo Yin e Yang, são pólos opostos, um pólo positivo e outro negativo, então você tem que trabalhar um tempo no positivo e outro tempo no negativo, assim faz com a hiperbárica também, por isso que os protocolos variam de 20 a 40. Mas a gente não tem essa resposta precisaria de uma pesquisa grande com 200 ou 300 pacientes, um grupo fazendo 20 sessões outro grupo fazendo 40 para ai sim a gente responder essa pergunta dizer qual protocolo é melhor qual não é. Então é muito difícil falar isso hoje, é realmente não temos dados para isso, se 20,30,40 sessões é melhor, a minha experiência que eu tenho com hiperbárica eu acredito que um numero bom seria 30 sessões e dar um intervalo de 6 semanas ou 8 semanas para repetir novo ciclo. 

6) Crianças com deficiência do G6PD podem ser tratadas com câmara hiperbárica? 

Os pacientes com deficiência do G6PD podem, sim, ser tratados com a câmara hiperbárica. No entanto, é bem importante observar o momento no qual a criança ou o paciente se encontra, se é benéfico oxidar de mais ou de menos. Será que o oxigênio vai ser interessante neste momento ou não? Mas não é uma contra indicação para a hiperbárica. As crianças com deficiência do G6PD podem sim ser tratadas com a hiperbárica. 

7) É possível associar outras terapias bio-oxidativas com HBOT? 

Nesta questão temos muitas perguntas e poucas respostas, ainda, para esse tema. Como todas essas terapias ainda são muito novas, você tem uma experiência clinica ainda muito pequena e você não tem grandes universidades por trás ou grandes industrias farmacêuticas a auxiliar. Pelo contrário, não tem interesse nenhum em estudar esse tipo de remédio, de medicações, de produtos químicos. Então a gente acaba ficando com pouca experiência com relatos de casos. Mas em principio pode sim associar. Agora o que é preciso no futuro mesmo é a gente realmente estabelecer qual o beneficio de cada uma, qual o momento de cada uma, como utilizar cada uma. Essas são perguntas que ainda não temos repostas. Só a pratica mesmo, só a pesquisa, a tentativa e o erro, que vão nos revelar essas respostas no futuro. 

8) O uso de antioxidantes é recomendado durante o tratamento? 

Em geral, o uso de antioxidantes não é recomendado durante nenhum tratamento com terapias oxidativas, pois você esta justamente oxidando - a vitamina C, a vitamina E - e isso pode acabar diminuindo o efeito oxidante. Então você tem que saber intercalar bem os oxidantes com as terapias oxidativas. 

9) Existe algum risco na terapia HBOT? 

O tratamento com hiperbárica é um tratamento bem tolerado, tem poucos efeitos colaterais. Os principais são o barotrauma - que é o trauma pela pressão, baro é pressão - e, mais raramente, as convulsões. O barotrauma pode ocorrer nos seios da face ou no ouvido médio. Crianças de até 7 anos não têm os seios da face totalmente desenvolvidos ainda, então não é comum elas terem problemas neles. O mesmo acontece com o ouvido, ela pode ter um desconforto igual a andar de avião, mas é raro isso impedir de fazer o tratamento. A carga de oxigênio recebida durante o tratamento é muito grande e isso pode irritar o sistema nervoso e estimular convulsões. Mas são convulsões benignas que não vão trazer sequela nenhuma. Só você retirando o aporte de oxigênio, a máscara ou diminuindo a pressão a criança ou a pessoa já sai da convulsão. Então é algo bem tranquilo caso aconteça. É raríssimo um relato de convulsões na hiperbárica, em torno de uma convulsão a cada 10.000 tratamentos. 

10) Quais os benefícios que podem ser esperados? 

Entre os pacientes com autismo que fazem hiperbárica, realmente, os pais notam melhoras no comportamento mesmo, na interação , no contato visual, na realização de atividades, na interação com outras pessoas e na diminuição daqueles índices de ATEC, que eu acredito que todos os pais devam estar bem familiarizados. Acredita-se que o autismo tenha um caráter vascular de alguma coisa no nascimento, uma falta de oxigênio, uma hipoxia, durante o nascimento ou em algum período da formação cerebral, que acarrete os sintomas do autismo. Então você oxigenando bem o cérebro da criança, você conseguiria diminuir ou reverter esse dano que a falta de oxigênio causou. Então, o esperado é ter a reversão desses sintomas e uma diminuição no score do ATEC. 

11) A proliferação de fungos, quando do uso da HBOT, é procedente? 

Não existe nenhum relato, na literatura, falando da proliferação de fungos durante o tratamento com a hiperbárica. Pelo contrário, como você está oxigenando as células e tecidos, você está criando um ambiente não muito propício para proliferação de fungos. Então, durante a hiperbárica você não espera isso. Mas é claro que tem outros fatores associados, como a alimentação , o estado do paciente e outras doenças, que podem levar à proliferação de fungos, mas não a hiperbárica em si. Pelo contrário ela cria um ambiente que não é muito propício à proliferação de fungos. 

12) A criança sofre algum tipo de dor ou desconforto durante as sessões? 

Pode existir desconforto em relação ao ouvido. Algum desconforto parecido com o avião ou durante um mergulho numa intensidade um pouquinho maior. Geralmente são crianças acima de cinco ou seis anos que apresentam esse desconforto. Crianças menores, só com chicletes, bala ou mesmo ingerindo líquidos, conseguem, tranquilamente, não sentir nada nos ouvidos. 

13) É possível fazer HBOT em crianças com convulsão? Quais os cuidados? 

O caso de crianças que têm um histórico convulsivo, é uma contra indicação relativa para a hiperbárica. Você tem que tomar um cuidado de fazer uma anamnese detalhada, uma história clinica, verificar a medicação que o paciente esta usando e avaliar risco e beneficio. Ela pode, sim, ter um risco aumentado de ter outra crise convulsiva durante a hiperbárica, devido a esse excesso de oxigênio que ela vai receber lá dentro. Como a pressão utilizada é um pouco menor do que a utilizada em outras terapias, no caso de cicatrização e infecções, a chance de ter convulsões é menor. Eventualmente, se valer muito a pena fazer a hiperbárica, a gente pode usar medicamentos anticonvulsivantes antes da sessão e tem alguns remédios e alimentos que aumentam ou diminuem o potencial oxidativo da hiperbárica. A gente pode dar esses medicamentos ou esses alimentos antes das sessões. Mas normalmente, depende do que for, a não ser que seja uma epilepsia grave ou algo que tenha convulsões frequentes, que é melhor evitar. No caso do autismo associado com convulsões, aí tem que individualizar mesmo. Cada caso é um caso. Não dá para falar de maneira geral. Tem que fazer uma avaliação com a criança, ver o histórico dela, medicações está usando e pesar esse risco/ beneficio. Num geral, não contra indica, mas tem que, sim, tomar cuidado no caso de convulsões. 

14) Poderia explicar a diferença entre as terapias bio oxidativas (ozônio, peróxido, MMS e HBOT) e quando cada uma é indicada? 

As terapias oxidativas são terapias que visam a estimular o sistema de oxidação do organismo. A gente chama de respiração celular. A gente precisa de oxigênio pra viver, e é dentro das células, especialmente na estrutura que se chama mitocôndria, que acontece a respiração celular, onde o oxigênio é transformado em energia. A gente produz energia com o uso do oxigênio. Então todas estas terapias que visam aumentar esse sistema oxidativo, dentro das mitocôndrias, são conhecidos como terapias bio oxidativas. A principal diferença entre elas é o potencial de oxidação que elas vão ter. O MMS, por exemplo, é o que tem maior potencial, dependendo da dose que você usar. Em segundo vem o peróxido, depois o ozônio. A hiperbárica teria um potencial pequeno de oxidação. Mas você não tem que olhar só o potencial de oxidação. Para indicar uma terapia, vai depender do que você quer tratar. Tem situações em que é interessante utilizar algo com grande potencial oxidativo, por exemplo, numa artrite. Algo que tem uma grande inflamação, como artrite reumatoide, dores crônicas , fibromialgia, nesses casos, você tem que ir com mais chumbo grosso. Em outras situações, como o próprio autismo, talvez não seja interessante oxidar tanto. Por isso a hiperbárica, parece, que tem um resultado melhor do que as outras. No geral, assim ainda está muito recente o uso de todas essas terapias - do ozônio, do peróxido, do MMS e da própria hiperbárica. Com a hiperbárica temos uma experiência maior, pois é mais aceita no mundo médico, o convênio já é obrigado a cobrir para algumas situações. Então a gente tem mais dados da hiperbárica. Agora com o ozônio, o peróxido e o MMS, a gente tem menos. Mas no geral vai muito da experiência de cada profissional. Tem gente que prefere o ozônio, tem gente que prefere o peróxido, prefere o MMS. Entendo que o MMS e peróxido são indicados para situações de infecção mesmo, por exemplo, infecções virais, infecções ativas, hepatite C, condições mais difíceis de serem tratadas em que você precisa oxidar mais o organismo. Com o ozônio, a minha experiência é muito boa para dor crônica, fibromialgia, artrite reumatoide, lesões do exporte, infecções de vias aéreas aguda. O ozônio é bem versátil porque você pode usá-lo de várias maneiras: retal, por via inalatória, por via intravenosa, intramuscular, que a gente chama de auto hemoterapia maior. Então ele é bem versátil, você consegue utilizá-lo de varias maneiras. O MMS é o que eu conheço há menos tempo. Já usei algumas vezes em mim, comecei a usar em alguns pacientes. Eu ainda tenho poucas experiências com ele. Tenho lido bastante sobre ele, acompanho o protocolo da Kerri, o uso do MMS no autismo. Eu tenho um sobrinho que começou a usar e a experiência não foi tão boa, então, tudo novo tem que se tomar cuidado. Parece, como tudo que é milagroso, você tem que suspeitar. Algo que serve para câncer e serve para tudo, assim como toda terapia bio oxidativa, parece a coisa mais milagrosa e quando você começa a usar na prática, não é bem assim. Então a gente faz tratamento com todos, algumas vezes o ozônio não resolve, usa o peróxido e não resolve, a própria hiperbárica vários pacientes não respondem, então não tem algo que sirva pra tudo, cada caso é um caso, cada paciente é individualizado, não dá para generalizar. Mas o que a gente pode dizer é isso, é que as terapias bio oxidativas que têm potencial de oxidação maior são muito boas para infecções bacterianas, virais, mais agudas principalmente, o ozônio serve bastante para dor e infecção também mas mais para dores crônicas e a hiperbárica, condições em que o oxigênio está mais desfavorável , por exemplo, lesões por esmagamento, infecção , o próprio pé diabético, cicatrização. E no autismo, com essa questão de poder oxigenar áreas que teoricamente sofreram falta de oxigenação durante o nascimento. Embora o potencial de oxidação seja bem menor, ela tem sim o seu papel em varias situações. Como eu disse, às vezes oxidar demais não e tão vantajoso. Você precisa de algo que não só oxide. Ela pode não oxigenar tanto, mas tem o potencial de oxigenar bastante os tecidos. Por isso que ela é bem útil em varias situações. 

15) Existe o risco da HBOT vir a causar algum tópico de regressão ou dano? 

A hiperbárica é um tratamento bem inócuo, não tem risco nenhum de causar dano ou lesão a qualquer órgão. Mas, infelizmente, a pessoa pode não responder ao tratamento. Em caso de doenças neurológicas crônicas, como trauma cerebral e AVC, onde a pessoa fica com sequela neurológica crônica e também é utilizada a hiperbárica, principalmente nos EUA, os pacientes usam protocolos parecidos com o do autismo. A pessoa faz ciclos de sessões. O que acontece é que ela melhora muito durante o ciclo e tem uma piora da função depois. Ela perde o ganho que ela teve, não vem a regredir o que ela já era no começo . Eu diria o mesmo no autismo. Tem pais que relatam que, durante o tratamento, a criança tem uma melhora importante dos sintomas, melhora muito o ATEC e na hora que para a hiperbárica, regride um pouco essa melhora. Mas nunca vai ficar pior do que começou. Pelo contrário, ela não consegue manter totalmente o ganho, mas ela perde um pouco do que ela ganhou. Porém, mesmo assim, ainda está no lucro. A gente tem visto hoje em dia que na verdade essa piora não é porque parou a hiperbárica, mas é por outras coisas que estão sendo estudadas. A Kerri (Rivera) fala bastante a questão dos alimentos, do glúten, da lactose, da alimentação, da contaminação por vacinas. É uma doença multifatorial, então é difícil você conseguir estratificar, retirar um fator isolado, um agente causador responsável por tudo. Por isso que é difícil você tratar e por isso que diferentes terapias são realizadas e nenhuma é 100% em tudo. Cada criança é uma criança, cada uma tem um problema alimentar diferente, tem uma condição do intestino diferente, então cada criança responde de uma maneira Mas (ter risco) de ter perda do que ela ganhou, de maneira alguma. E também não tem risco nenhum de ter danos, ou qualquer lesão que seja, por causa da hiperbárica. 

16) O excesso de terapia pró oxidativa poderia acelerar o envelhecimento do corpo? 

Com relação ao envelhecimento, seria o contrário. As terapias oxidativas têm ganhado muito papel, dedicação e atenção nos últimos momentos, justamente por terem o potencial de atuar como anti aging, ou seja, anti envelhecimento. Tudo vai depender de quanto você oxida, de mais ou de menos. Se você oxidar na medida certa você estaria impedindo o envelhecimento, se você oxidar de maneira acentuada você vai, é claro, causar o envelhecimento. Funciona bem análogo ao esporte. A gente vê muito isso no esporte de alto rendimento, no esporte de elite. Por exemplo, o Phelps, ele é muito forte, muito saudável . Agora, você pega um maratonista, que faz muito volume de exercícios. Ele é o melhor exemplo, é uma pessoa envelhecida, parece doente, porque faz muito excesso de volume, excesso de corrida e então oxida demais as células. Então ao invés do exercício fazer bem, ele acaba fazendo mal e envelhecendo a pessoa. É o mesmo com as terapias oxidativas: se você usar demais, vai acontecer igual ao esporte, você vai acabar envelhecendo. Mas se utilizar na medida certa você vai, sim, se tornar uma pessoa saudável e até impedir esse envelhecimento. 

17) A pressão da HBOT interfere no tratamento com células tronco? 

O tratamento com hiperbárica não interfere com células tronco, pelo contrario a hiperbárica estimula a medula óssea a produzir todas as células do sangue que são produzidas pela medula óssea, ela hipoteticamente potencializa os efeitos da terapia com células tronco, ainda é uma coisa bem experimental também , a gente não tem muitos dados ainda da células tronco, alguns pacientes relatam boas melhoras outros nem tanto, como tudo que ta surgindo de novo, a gente está aprendendo também com as células troncos, mas é possível sim e até bem desejável combinar essas terapias, como a células tronco o próprio PRP que é o Plasma rico em plaquetas, que são variações da células tronco. E bem interessante você combinar essas terapias, hiperbárica o próprio ozônio, junto com PRP e células tronco é bem interessante, não impede pelo contrario é até benéfico. 

18) Quais tratamentos devem ser evitados concomitante com HBOT? 

Bom os tratamentos que devem ser evitados são todos os tratamentos que vão na contramão, então você tem uma terapia oxidativa e tem que evitar utilizar os contrários que são os anti oxidantes, geralmente não é recomendado usar terapias anti oxidantes, junto com as terapias oxidativas , é bom geralmente sempre estar intercalando mas tudo dependo do caso de qual a substancia que esta sendo usada, dependo do potencial,como a hiperbárica não é muito oxidativa, dependendo da substancia que for utilizada nem tem muito problema , você não vai cortar o efeito da hiperbárica, digamos, mas é sempre bom ter um profissional experiente que ta fazendo o tratamento e saber dosar bem essas duas terapias, mas num geral tem os cuidados da alimentação e outras coisas que não são muito restritivas durante a hiperbárica.

19) O Sr acredita na função de produção de células estaminais pela HBOT? 

Com relação as células estaminais a gente divide ai em embrionárias e não embrionárias, A hiperbárica ela age sim estimulando aumentando a produção das células na medula óssea, agora as células não embrionárias essa é mais difícil de conseguir diferenciar se bem que as pesquisas recentes tem mostrado que isso é possível, ate produzir novas células do sistema nervoso por exemplo, então é daí que a gente se agarra, nessas doenças neurológicas crônicas, acho que essa vai ser a grande chave para o futuro, como ativar essas células da melhora maneira e conseguir reparar o dano que foi causado no sistema nervoso, mas com eu disse a gente esta muito no embrião destas pesquisas, então tem muita coisa que agente não sabe, como funciona, de como a gente pode realmente manipular essas células, mas a hiperbárica representa um grande potencial, já tivemos vários casos, trabalhos e estudos demonstrando como que a hiperbárica age na medula óssea, então ela tem um grande potencial sim de agir nesse tipo de célula e tipos de tratamento com a células tronco, com o PRP e outras modalidades que usam essas células embrionárias , as células primitivas como base de tratamento. 


20) Caso haja intoxicação por mercúrio, é preferível baixar esse nível com quelação antes da HBOT?

Com certeza qualquer intoxicação por metal pesado, mercúrio, alumínio ou outros metais é bem interessante sim, se estiver disponível fazer a quelação. Qualquer desintoxicação que puder ser feita antes da hiperbárica vai ser benéfica. Então é desejável sim que faça tudo que for possível e que tiver acesso antes de começar.

21) Qual o melhor momento para fazer HBOT? 

O melhor momento para se fazer a hiperbárica, essa é a grande questão não só a hiperbárica mais todas as terapias oxidativas, qual é o momento de fazer? O que a gente tem visto hoje, no autismo uma coisa que a gente aprendeu que não é só ir la e colocar a criança na hiperbárica, tem esse momento, o que a gente já sabe hoje, o autismo esta muito relacionado com a disbiose, uma inflamação crônica importante, e tem se discutido bastante também essa questão nutricional, alergia a certos alimentos, então quando você ta muito inflamado não adianta começar a hiperbárica, você precisa fazer uma desintoxicação antes, não só para hiperbárica mais para as outras terapias oxidativas

22) É necessário fazer algum exame antes de fazer HBOT? 

Não é necessário realizar nenhum exame para a criança, principalmente antes de fazer a hiperbárica, existem muito poucas contra indicações para o tratamento. Geralmente são drogas para o tratamento de câncer que contra indicam fazer o tratamento, pneumotórax não tratado que é quando você tem ar entre o pulmão e a pleura que é uma membrana que cobrem os pulmões, mais geralmente isso é traumático, a não ser crianças e adolescentes que tenham o histórico de pneumotórax espontâneo, ai você tem que fazer um raio x antes, e pessoas portadoras de cardiopatias, doença do coração tem que fazer uma investigação cardiológica, mais como criança é mais raro isso é difícil ter que fazer alguma coisa. No caso de crise convulsiva foi o que eu já disse ontem , cada caso é um caso, tem que individualizar mesmo , é uma contra indicação que a gente chama de relativa, não impede de fazer o tratamento mas a gente tem muitas síndromes que causam convulsões então você tem síndromes muito graves que convulsiona toda hora , a síndrome de West, essa sim é muito difícil de tratar, e outras causas menos comum e mais benigna como a própria convulsão febril, se a criança teve uma convulsão febril isso não impede ela de fazer a hiperbárica, então tem que ser algo bem individualizado mesmo, caso a caso, uso de medicações, e mesmo em casos mais graves de epilepsia e convulsões a gente pode usar medicações profiláticas pra fazer, tudo vai pesar o risco x beneficio, se vale a pena ou não tratar, e qual a historia clinica, que medicações usam e essas coisas.




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sábado, 13 de agosto de 2016

Células Tronco - Clínica Gerobasso

Café com Conhecimento

Nessa rodada de Café com Conhecimento contamos com o Dr Décio, que nos brinda com seu conhecimento sobre células tronco.



Dr. Décio Basso

Médico formado pela UFSC, em 1982. Especializado em geriatria e gerontologia pela PUCRS. Faz parte do staff médico do centro de pesquisa de terapia celular pela MBVVAX ( The University British Columbia Canada). Professor de Clínica Médica da faculdade de medicina da Universidad Privada Del Este PY. Diretor Clínico da GEROBASSO Research Institute, que é referência internacional em terapias inovadoras utilizando células tronco mesenquimais.

Poderias descrever como é realizado o procedimento em vossa clínica, destacando as diferentes técnicas utilizadas para a obtenção das células, suas diferenças e cenários de aplicação?

As células tronco que utilizamos são as mesenquimais autólogas homólogas, que são células adultas retiradas da medula óssea do próprio paciente ao longo de 5 semanas. Ou seja, quatro semanas de preparo para que, na quinta semana, se faça o grande implante.
Usamos  laser, PRP, hidrocólon, ozônioterapia, processo de eliminação de metais pesados, fornecimento de minerais e aminoácidos ao paciente, otimização hormonal a depender da idade do paciente, controlando –se os marcadores de células tronco até que se possa fazer o grande implante na quinta semana. Existe uma equipe para tudo isto.
As quatro semanas que antecedem  o grande implante de células tronco são utilizadas para que se estimule a produção interna, na medula óssea, de células tronco. São feitas retiradas de pequenas quantidades, em torno de 36 ml semanais e ao final, na quinta semana, uma retirada de maior volume, a depender do caso, podendo chegar a 200 /250 ml.
Tem funcionado muito bem esta utilização. É um procedimento que requer um preparo, que pode ser realizado de várias maneiras, dependendo da avaliação do caso, mas normalmente se levam 5 semanas para que se faça o implante completo.
Não utilizamos células embrionárias pois, apesar de serem poderosas, são extremamente incontroláveis, sendo o índice teratogênico muito alto. Hoje cita-se um índice de 11%, mas acredita-se que seja muito maior. Assim, toda vez que um paciente faz uso deste tipo de células, embrionárias, sabe-se que pelo menos 11% deles terão algum tipo de câncer. Por isto não nos utilizamos desta técnica.
Não usamos células de gordura, não usamos células de dente de leite, nem células de cordão umbilical, porque os trabalhos científicos demonstram uma pobreza e ineficiência quando o assunto é tratamento médico em doenças degenerativas, que é o caso de nossa clínica, que trata paciente com ELA (esclerose lateral amiotrófica), com distrofias musculares, com pacientes que precisam ser transplantados por doença renal ou grave insuficiência cardíaca, cerebropatias congênitas graves. São todos pacientes de altíssimo risco, então utilizamos apenas células tronco retiradas da medula óssea.

O ideal não seria utilizar células de outra pessoa, não doente?


As células utilizadas no implante são extremamente protegidas e estão inativas. Ou seja, a doença que está afetando a pessoa não está afetando as células tronco. Por isso pode ser do próprio paciente.



Quais são as vias de aplicação das células?

No grande implante de células tronco, utiliza-se também a via hemática, endovenosa, intratecal e a peridural. Na clínica, quando o processo degenerativo envolve a parte neurológica, se usa no grande implante a via endovenosa, associado a procedimentos  específicos que fazem com que as células tronco ultrapassem a barreira hematoencefálica e já adentrem no sistema nervoso.

Como é feita a preparação do paciente e das células?

Toda a preparação é feita na clínica. O laboratório também é dentro da clínica,ao lado da sala de cirurgia. Até hoje nunca tivemos problemas com nossos pacientes, com nossa técnica. Não fazemos imunossupressão, mas sim imunomodulação, por isso não corremos risco de processos infecciosos, de contaminação por fungos.

É necessário imunossuprimir o paciente antes da aplicação das células?

Não há necessidade alguma de se anular o sistema imunológico da pessoa, nunca utilizamos este método e nunca tivemos rejeição nem ao menos utilizamos antibioticoterapia preventiva ou pós algum tipo de implante. Não consideramos a técnica de imunossupressão avançada, pois paciente imunossuprimido  tem que viver praticamente em uma bolha, pois qualquer infecção pode ser mortal e a necessidade de cuidados extremos como UTI pode tornar o procedimento impraticável.
Nossa técnica é uma técnica americana aperfeiçoada por canadenses, muito bem vista em todo o mundo e nos levando a palestrar no congresso europeu a respeito. O protocolo canadense é muito simples, seguro, evoluído e a resposta e resultados dos pacientes também são ótimos.

A idade do paciente pode interferir no resultado? Pacientes com deficiência de G6PD podem realizar o procedimento?

A idade do paciente não tem muito a ver com a resposta. Evidentemente uma criança terá maior resposta que um paciente idoso, mas existem diversas técnicas para o aumento da proliferação de células. Nosso paciente mais novo tem 2 anos. Inclusive pacientes com deficiência na G6PD podem fazer este tipo de implante. O único problema que encontramos são pacientes que realizaram implantes anteriores de células embrionárias e buscam nossa clínica. Neles, tomamos o devido cuidado de solicitar o exame Onco 3, que mapeia células tumorais circulantes a partir de células tronco. Em havendo alguma alteração positiva neste exame, não fazemos o procedimento, pois este paciente certamente desenvolverá câncer. Do contrário, não há problema.

O procedimento é indicado para outros quadros degenerativos ou apenas para autismo?

Em todo e qualquer processo que esteja ocorrendo no organismo as células tronco têm condições de fazer uma regeneração. Trabalhamos com pacientes cadeirantes, incluindo ,por exemplo, uma paciente com lesão medular, que  tem apresentado os primeiros  movimentos dos pés e das pernas após transcorridos dois meses  de pós implante. Há que se entender que cada paciente é único e terá um tipo de avaliação, um protocolo, e dentro de um protocolo há inúmeras variações. Mas como já dito, nunca tivemos um paciente que não tenha recebido nenhum tipo de melhora e já tivemos pacientes com melhoras de 100%. Assim, sempre digo que a expectativa é sempre ótima e não temos nos decepcionado.
Não existe um lugar em que as células tronco não possam regenerar, mas há pacientes que respondem melhor, outros mais lentos, mas todos apresentam reações positivas.

Como é feito o preparo para que o procedimento possa ter uma maior probabilidade de sucesso?

As células tronco necessitam de marcação de superfície de células lesadas para poder atuar, para poder fazer replicação e regeneração. Quem leva estes marcadores, que são chamados CDs são as plaquetas, por isso se faz o PRP frequentemente e se acompanha o número aumentando dos CDs indicadores de fatores de crescimento local. E nós temos que atingir acima de 75% de viabilidade celular para poder fazer o implante e isto se faz às custas de PRP, dentre outras coisas. Sendo o PRP peça fundamental.

O procedimento de células tronco é indicado para casos de câncer?

Em paciente em  tratamento de quimioterapia ou radioterapia fica impraticável o uso de células tronco. É necessário se passar um tempo e fazer todo um preparo especial para que se tenha células tronco viáveis par se fazer um implante. Paciente em uso de rádio e quimio não tem melhora com células tronco.





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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Câmara aprova política nacional para pacientes com doenças raras no SUS


02/08/2016 - 13h44

Câmara aprova política nacional para pacientes com doenças raras no SUS

O projeto obriga o Ministério da Saúde a fornecer medicamentos para o tratamento de doenças graves e raras, ainda que eles não constem na relação de remédios disponibilizados gratuitamente pelo SUS
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou hoje o projeto que cria a Política Nacional para Doenças Raras no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta define como doença rara aquela que afeta até 65 em cada 100 mil pessoas (PL 1606/11).
Como tramita em caráter conclusivo, a proposta poderá ser remetida diretamente para o Senado, exceto se houver recurso para que o Plenário da Câmara também analise o texto.


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O texto aprovado na CCJ é o substitutivo da Comissão de Finanças e Tributação ao Projeto de Lei 1606/11, do ex-deputado Marçal Filho, e ao PL 2669/11, do deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que tramita apensado.
Pelo projeto, essa política deverá ser implantada em até três anos, tanto na esfera nacional, como na estadual e na municipal, com o objetivo de estabelecer uma Rede Nacional de Cuidados ao Paciente com Doença Rara. A proposta estabelece as competências de cada um dos entes federativos (municípios, estados e União) na execução da política.
O projeto obriga o Ministério da Saúde a fornecer medicamentos para o tratamento de doenças graves e raras, ainda que eles não constem na relação de remédios disponibilizados gratuitamente pelo SUS.
Prazo para valer
O relator na CCJ, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), fez apenas uma mudança: suprimiu o prazo de 90 dias dado pela proposta original para que o Executivo regulamentasse a nova lei.
Ele argumentou que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que é nula toda norma que venha a impor prazo para que outro poder execute atribuição de sua exclusiva competência, como a de regulamentar leis. “Com isso a proposta segue sem prejuízos, e esperamos que o governo regulamente a medida no menor prazo possível”, disse.
Atenção básica e especializada
A política será implementada tanto na chamada atenção básica à saúde, quanto na atenção especializada.

Na atenção básica (Unidades Básicas de Saúde e Núcleo de Apoio à Saúde da Família) serão identificados os indivíduos com problemas relacionados a anomalias congênitas, erros inatos do metabolismo, doenças geneticamente determinadas e doenças raras não genéticas. A ideia é que os portadores de doenças raras sejam identificados precocemente, no pré-natal ou ainda recém-nascidos, e que recebam o tratamento adequado desde a primeira infância. A política prevê ainda o suporte às famílias dos pacientes com doenças raras.

Já na atenção especializada (Unidades de Atenção Especializada e Reabilitação e centros de referência) será realizado o acompanhamento especializado multidisciplinar e os demais procedimentos dos casos encaminhados pela atenção básica.

Centros de referência
Conforme o texto, cada estado deverá estruturar pelo menos um centro de referência, que deve, na medida do possível, aproveitar a estrutura já existente em universidades e hospitais universitários.

A proposta estabelece ainda que os estabelecimentos de saúde habilitados em apenas um serviço de reabilitação passarão a compor a rede de cuidados à pessoa com doença rara. O objetivo é dar assistências aos pacientes sem tratamento disponível no âmbito do SUS. A ideia é que esses centros possam se articular com a rede do SUS, para acompanhamento compartilhado de casos, quando necessário.

Medicamentos órfãos
A política reconhece o direito de acesso dos pacientes diagnosticados com doenças raras aos cuidados adequados, o que inclui a provisão de medicamentos órfãos (aquele destinado ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doença rara). Pelo texto, a necessidade de utilização desses medicamentos órfãos deverá ser determinada pelos centros de referência do SUS e reavaliada a cada seis meses.
Segundo o texto, a incorporação do medicamento órfão pelo SUS deverá ser considerada sob o aspecto da relevância clínica, e não sob o aspecto da relação custo-efetividade. A proposta diz ainda que os medicamentos órfãos destinados ao tratamento de doenças raras terão preferência na análise para concessão de registro sanitário junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e estabelece algumas regras para facilitar esse registro.
Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Natalia Doederlein

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SAUDE/513162-CAMARA-APROVA-POLITICA-NACIONAL-PARA-PACIENTES-COM-DOENCAS-RARAS-NO-SUS.html

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A história da membrana celular e da mitocôndria

Café com Conhecimento

Conheça, através de uma paródia leve, a importância da membrana celular e seu impacto na nossa mitocôndria

Baseado em: http://nutritiongenome.com/all-health-starts-in-the-cell-membrane-and-mitochondria

Imagine a sua célula como o seu próprio reino pessoal. O núcleo e as mitocôndrias são o Rei e a Rainha, que abrigam o seu DNA. A membrana celular representa o fosso e a força de sua parede que cerca o castelo, e o citoplasma são os jardins circundantes. Sua fortaleza é reforçada por sua dieta baseada em ‘mocotó’, carnes orgânicas, peixes selvagens, ovos de galinhas orgânicas, frutas locais orgânicas, vegetais orgânicos, cogumelos orgânicos, nozes orgânicas, sementes orgânicas e grãos orgânicos. Às vezes esses alimentos são ‘disfarçados’ com óleo vegetal, açúcar, conservantes, produtos químicos e são apresentadas de uma forma agradável ao paladar e aos olhos. Fast food, açúcar, conservantes e alimentos processados ​​estão todos dentro do cavalo de Tróia que você permite adentrar (através do portão principal) em seu reino, ao consumir esses alimentos, criando uma guerra total no citoplasma ao criar um ‘portão’ para a célula. Agora que esse ‘portão’ foi criado, metais pesados, produtos químicos, vírus e bactériasapressam-se para atravessá-lo, para atacar o reino e ameaçar a vida do rei e da rainha. Você envia a sua defesa contra este ataque, enviando seus cavaleiros, arqueiros e tropas terrestres. A sobrevivência das suas células saudáveis ​​e reino depende de sua deficiência alimentar, toxicidade ou ambos.


A Genética da membrana celular e da mitocôndria

SOD1 e SOD3: Você precisa de mais zinco e cobre?

Superóxido dismutase é uma enzima que protege as células do stress oxidativo aumentado e dos danos que os radicais livres causam nas estruturas celulares como membranas, mitocôndrias, DNA e proteínas. A SOD1 está localizada no citoplasma, se liga ao cobre e zinco, e é uma das duas enzimas responsáveis ​​pela destruição dos radicais superóxidos livres no corpo. As mutações podem levar a uma diminuição da capacidade de lidar com o stress oxidativo.
O que isto significa para você? Se você tem uma mutação na SOD1 ou SOD3, você precisa ter certeza que está recebendo a dose de zinco e cobre adequada em sua dieta para proteger a parte externa das mitocôndrias. A dose diária de zinco deve ser muito maior, e a maioria de nós provavelmente têm muito cobre.

SOD2: Você precisa de mais manganês e antioxidantes?

SOD2 codifica a Mn-SOD (SOD mitocondrial manganês), que catalisa a dismutação de superóxido em peróxido de hidrogênio e água. Polimorfismos em SOD2 (+/- e +/+) estão associados com a atividade SOD reduzida.
SOD2 desempenha um papel crítico na proteção das células neuronais contra o stress oxidativo induzido por glutamato e cito toxicidade. Em concentrações elevadas, o glutamato é neurotóxico. Acredita-se que morte neuronal induzida por glutamato é um fator importante no desenvolvimento de várias doenças neuro degenerativas. Os dados indicam que as mitocôndrias são importantes alvos iniciais da neurotoxicidade induzida pelo glutamato oxidativo. Evitar glutamato monossódico e promover níveis saudáveis de GABA, ​​ajuda a evitar níveis elevados de glutamato.
O DNA mitocondrial é dez vezes mais susceptível a danos induzidos por radicais livres do que o DNA nuclear, levando a disfunção mitocondrial, perturbações de produção de energia celular e envelhecimento celular acelerado.
Estudos descobriram que além de folato, vários nutrientes antioxidantes e fito químicos têm o potencial de melhorar a reparação do DNA e reduzir lesões oxidativas do mesmo. Esses contributos alimentares poderiam, teoricamente, compensar defeitos hereditários em mecanismos de reparação. Além disso, indivíduos com polimorfismos hereditários que diminuem a atividade de sistemas de enzimas antioxidantes, podem ter uma maior exigência de antioxidantes na dieta para prevenir o dano ao DNA ou risco de câncer. Cordycepsnsis (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15506292) cogumelo medicinal raro, considerado durante séculos como uma das pedras basilares da medicina chinesa, reconhecidamente melhora a atividade do SOD nos glóbulos vermelhos, no cérebro e no fígado.
O que isto significa para você? Se você tem essa mutação, você precisa adicionar manganês em sua dieta a partir de mexilhões, avelãs, pinhões, nozes, macadâmia, amêndoas, grão de bico, espinafre, couve, chá preto, amoras, chocolate e lentilhas. Você também deve optar por um prato colorido que possa ofertar os micronutrientes necessários.

PEMT: Você precisa de mais Colina?

A fosfatidilcolina é catalisada pela enzima fosfatidiletanolamina - N - metiltransferase (PEMT), que é induzida por estrogênio.
Um polimorfismo genético comum (rs12325817) no gene PEMT, também pode aumentar o risco de deficiência de colina no organismo. Oitenta por cento das mulheres que são homozigotos para o SNP manifestam sinais de depleção de colina (disfunção hepática ou muscular), em relação a 43 % dos indivíduos com apenas uma cópia do alelo variante e 13 % dos indivíduos sem o SNP. Quase 75 % da população da Carolina do Norte nos Estados Unidos tem um alelo variante.
O que isto significa para você? Se você tem essa mutação, você deve comer alimentos ricos em colina, incluindo ovos e fígado para manter as membranas das células saudáveis.

BCMO1: Você precisa de suplementação adicional de vitamina A?

A enzima chave responsável pela conversão de betacaroteno na retina é o betacaroteno 15,15' - monoxigenase (BCMO1). Voluntários do sexo feminino que transportam uma variante em rs7501331 apresentaram uma capacidade reduzida em 32% na conversão do betacaroteno, já os em homozigose, apresentam redução de 69% na conversão do betacaroteno em retinol afetando, inclusive, a saúde da tireoide.
O que isto significa para você? Se você tem essa mutação, você deve obter a vitamina A em uma forma pró-retinol, de ovos, fígado e óleo de fígado de bacalhau, para a proteção interna da membrana celular.

Você apresenta sensibilidade à ingestão de óleos vegetais e suplementação de cálcio?

Mutações no gene CASR estão associadas a níveis séricos mais elevados de cálcio em indivíduos de origem europeia, indiana e asiática.
As gorduras poli-insaturadas (óleos vegetais), gorduras trans, alimentos fritos, como batatas fritas ou carne frita, leite em pó ou ovos em pó e fumo estão ligados ao colesterol oxidado (oxysterols), aumentando a esfingomielina nas membranas celulares das artérias coronárias. Isto leva a artérias obstruídas e melhora a interação entre a membrana e o cálcio iónico, aumentando assim o risco de calcificação arterial.
27 - hidroxicolesterol encontrado em gorduras fritas e alimentos processados ​​tem sido referenciado em estudos como "muito tóxico". As mulheres com menos de 60 anos de idade que foram submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio apresentaram 45 ng / mL oxysterols mais livres no plasma do que os indivíduos do grupo de controle. Da mesma forma, os homens com menos de 60 anos de idade que foram submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio apresentavam 50,7 ng oxysterols mais livres no plasma do que os do grupo de controle.
O que isto significa para você? Evite todos os óleos vegetais e alimentos fritos, certifique-se de que a sua ingestão de magnésio é maior do que a ingestão de cálcio, garanta níveis adequados de K2 para promover a saúde de suas membranas celulares.


Fontes:

1. H202:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2763257/
2. Cell Membrane, C and E: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK9898/
3. PUFAhttp://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0005273612000156
4. CoQ10: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11229531
5. Food Dyes http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02652039609374376#.VjJIhoR8vzI
6. Strawberries: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24962387
7. Superoxide in Mitochondria: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0891584904004538
8. Cordyceps: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21061463
9. NO and ONOO-: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10989653
10. Melatonin, vitamin E: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7776173
11. OH in Mitochondria: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19490751
12. Vitamin/Minerals Mitochondria: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16102804
13. Vitamin A: Reishi: http://www.lifeextension.com/magazine/2013/2/how-reishi-combats-aging/page-01 15. Omega-3’s: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3205506/
16. mDNA by Ward Dean MD: http://www.vrp.com/neuroendocrine-theory-of-aging-chapter-3-part-two-the-energy-homeostat-the-source-for-cellular-energ?